Consciência Artificial: vencendo o paradigma dos dados para Inteligência Artificial Genérica

O mercado de Tecnologia da Informação, ou TI, está cercado de paradigmas. Na verdade, a própria TI também é um paradigma, e no meu entender ela deveria evoluir para um novo conceito, que é o de Tecnologia da Inteligência [1].

Um dos mais comuns que encontramos na mídia é a de que os dados são essenciais para a Inteligência Artificial, ou IA, ou seja, uma espécie de novo petróleo.

Mas se a Inteligência Artificial é infinitamente abrangente, em tese, a relevância que atribuímos aos dados não deveria ser tanta como vemos.

E esse é, no meu entender, o ponto de mutação, que diferencia a busca por uma inteligência sem consciência e cada vez mais específica do desafio de simular uma inteligência realmente consciente, no nível humano, e genérica.

Entretanto, os paradigmas no jogam cada vez mais para a especialização da inteligência, e os perturbadores limites disso.

Afinal, o volume de recursos e expectativas que a IA movimenta, dependem cada vez mais de Inteligência Artificial Genérica, ou AGI.

E talvez um dos grandes desafios e barreiras da AGI esteja na evolução da Consciência Artificial, devido à realidade de, praticamente, inexistência de modelos para ela.

Um dos caminhos que proponho para quebrar esse paradigma é o que denomino de Modelo de Consciência Imaterial, e que busca encontrar soluções para o problema que descrevo a seguir.

Imagine que um cientista nascido no século XVIII realiza uma hipotética viagem ao futuro para o dia de hoje, sendo colocado em uma sala com um Tablet conectado à internet por wifi, mas sem acesso direto a navegadores ou browsers.

Por mais brilhante que seja esse cientista do passado, ele não sabe o que é um computador, muito menos um Tablet, muito menos um software, o primeiro grande componente imaterial, muito menos tem noção do que seria a internet, o segundo e ainda maior sistema imaterial, representado tipicamente por uma nuvem. E, pela primeira vez, está diante de um Tablet. Mas, como ele é inteligente e curioso, logo começa a entender a lógica de operação do Tablet e a descobrir coisas incríveis sobre esse incrível dispositivo.

Agora, imagine que esse cientista terá um novo desafio pela frente, assim que descobrir o mais óbvio, que é basicamente identificar o que qualquer cientista de dados ou informação conhece:

O que é hardware e o que é software no Tablet e quais suas diferenças?
O que é o wifi e a comunicação em rede sem fio?
O que é software local ou cliente e o que é software remoto ou servidor?
O que é apenas uma Cloud ou toda a Internet?

E talvez o desafio de descobrir todos os componentes materiais e imateriais do Tablet, principalmente o que é toda a Internet, partindo dessa única experiência, seja muito similar ao que os cientistas enfrentam para descobrir o que é exatamente a consciência e onde ela se localiza, como proponho nesse modelo.

Evidentemente que, no momento que o cientista descobrisse o navegador ou browser no Tablet, as respostas para essas perguntas seriam muito fáceis. E é justamente por isso que no Tablet que oferecemos para ele, não há navegador. Ou seja, o desafio do aprendizado está justamente na dificuldade das descobertas não evidentes que deverão conduzir o cientista para as respostas corretas.

Ou seja, o Modelo de Consciência Imaterial, validado pelo teste do cientista do passado diante do Tablet, talvez seja exatamente o complexo problema que enfrentamos analisando o cérebro e a mente, humanos, em busca da consciência real, e, talvez, no futuro, da Inteligência Artificial Genérica.

E, estamos presos ao paradigma dos dados, e, principalmente do aprendizado supervisionado, inconsciente, nos limita a descobrir os caminhos para, ao menos, simular uma Consciência Artificial, no nível humano.

____
Rogerio Figurelli – @ 2019-02-11

Referências:

[1] Intelligence Technology: The new IT for the Age of Robots – 2014 – https://www.amazon.com.br/Tecnologia-Intelig%C3%AAncia-nova-para-Rob%C3%B4s-ebook/dp/B01MTSYJA5/

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