Se as crises e bolhas se mostram quase sempre determinísticas, senão ao menos lógicas, tudo seria muito fácil – e para todos – se o tempo de duração delas fosse de fácil previsão.
Mas a realidade é que determinadas crises e bolhas podem durar muitos anos, até mudarem de lado. Exatamente essa incerteza de tempo tornou tão grave a mais famosa – e duradoura – crise dos tempos modernos: a grande depressão ou crise de 1929. Na prática, foram necessários mais de dez anos para uma retomada de atividade industrial nos mesmos patamares de antes da crise. Mas, se considerarmos o impacto para os investidores, com o índice Dow Jones para 100 anos, o impacto devastador do tempo nos conduz a mais de vinte anos de duração de uma crise com um ciclo de tempo de total incerteza.
Não é difícil imaginar o impacto devastador dessa época sobre investidores que perceberam uma recuperação de produção industrial dez anos após o início da crise que de fato só se confirmou no índice Dow Jones após mais de vinte anos. E não é preciso ir tão longe para buscar cenários de tamanha incerteza, uma vez que nosso próprio país enfrenta ainda uma crise sem data final para formatação do início de uma nova e consistente bolha. Mas quando estamos em meio a uma crise, uma nova bolha parece o menor dos problemas ou ainda, o problema que gostaríamos de estar administrando.
Para agravar ainda mais a incerteza infinita do tempo, principalmente referente à duração dos períodos de crises e bolhas, temos a incerteza infinita da tecnologia, uma vez que ela poderá estar associada às descobertas, invenções e o absolutamente novo e imprevisível.
Evidentemente que a grande maior parte dos avanços de tecnologia são incrementais, diminuindo um pouco essas incertezas, mas os riscos de mudanças de paradigmas e de ruptura dos sistemas existentes é cada vez maior, com o avanço dos computadores e computação em nuvem.
Outro fator importante, que complementam as incertezas de tempo e tecnologia, é que ela própria abre cada vez mais as portas para aumentar a velocidade e precisão de troca de informações, atingindo diretamente os mercados regionais e globais em poucos segundos.
E, dessa forma, as economias apresentam cada vez mais velocidade e incerteza de reflexo de bolhas e crises locais ou globais.
Mas, além disso, e talvez com impacto e probabilidade maior de formação de novas crises e bolhas, a Internet facilita a criação de novos produtos e Startups, que são empresas com características tipicamente formadas em ambientes de inovação.
Foi exatamente esse o cenário do final do século passado, com a entrada da Internet comercial no mercado, e a grande migração de capital de investidores em novos negócios na área de tecnologia, na expectativa de uma nova economia, com negócios em nuvem.
E pode-se considerar essa a Bolha 1.0, que se formou de 1995 a 2000, portanto no final do século passado, a aproximadamente vinte anos atrás.
A experiência da Bolha 1.0 mostra um viés otimista das bolhas e crises de tecnologia, pois por pior que tenham sidos os impactos do estouro da bolha, fomos capazes de recomeçar e, principalmente, começar a formar uma nova bolha, ainda maior.
E tudo indica que a Bolha 2.0, que acredito estar se formando atualmente, segue esse viés, onde as bolhas são cada vez maiores e as crises possuem um limite de pessimismo com capacidade de reversão contínua, alimentadas pelos sonhos dos investidores, e novas Startups.
Mas será que aprendemos com os erros passados? Ou ainda, estamos resilientes o suficiente para uma Bolha 2.0?
Essa é a pergunta que não quer calar e a razão que decidi escrever esse livro, pois acredito que, apesar de estarmos vivendo aspectos muito similares ao da Bolha 1.0, não aprendemos com ela o suficiente, esquecendo com o tempo seus fatores e impactos devastadores.

Veja mais em: https://www.amazon.com.br/dp/B06XWT7QBB/ref=sr_1_2?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1490788898&sr=1-2

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